Afinal, como é feita a nuvem?

Fonte: DepositPhotos

Trabalho em uma escola e de vez em quando vejo alunos em discussões muito interessantes.

Lembro de ter visto dois pequenos alunos conversando de forma acalorada sobre aplicativos, websites e outras coisas mais.

Não resisti ao impulso de ajudar aqueles meninos e me apresentei como gestor do departamento de tecnologia da instituição. Em questão de segundos percebi o enorme erro que cometi! Os garotos tinham tanto assunto que certamente com a idade que tenho eu não conseguiria responder a todas as perguntas deles!

Tentei moderar aquele caos em forma de questionamento para que em pelo menos um assunto eu pudesse ajudá-los. Pedi aos meninos que escolhessem um tema e aí sim eu tentaria explicar da melhor maneira possível.

Por mais incrível que pareça os dois em uníssono queriam saber como a nuvem é feita. Bom, vamos lá, falei para a dupla com olhares de filhotes de mamífero…

Em primeiro lugar o nome nuvem não é recente, em meados da década de 1990 já se falava de computação distribuída e procurava-se formas de baratear os altos custos com aquisição de servidores e demais computadores para as empresas. No entanto existia um limitador enorme, principalmente no Brasil. A Internet não estava plenamente instalada e com a capacidade de tráfego que tal tecnologia exigia. No entanto, por volta do ano 2000, a implantação de sistemas melhores e mais rápidos auxiliou o crescimento e distribuição dos links de Internet.

Após a “rodovia” ter sido construída, pois seria através dela (a Internet, é claro) que os novos serviços iriam rodar, lembrei aos meninos que isso tudo é em sentido figurado, ficou mais fácil começar a oferecer serviços de processamento e aluguel de máquinas instaladas em locais distantes.

A tecnologia de virtualização também facilitou a ampla disseminação dos serviços de cloud, como são chamados atualmente, pois a praticidade de criar servidores, estações de trabalho etc., permitiu a rápida evolução do serviço.

No início como os preços eram em moeda estrangeira, principalmente em dólar, os custos ainda se mantinham proibitivos para países como o Brasil, mas a moeda tornou-se flutuante assim como o câmbio e as empresas aos poucos se adaptaram a essa realidade.

Em suma, disse aos meus meninos, a nuvem é feita de inúmeros computadores interligados em todos os lugares.

Os garotos ficaram com cara de satisfeitos e eu pude ir embora me sentindo o “tiozão” da informática por ter vivido tudo isso. Ah se eles soubessem que eu tive um telefone celular CDMA… Mas aí já é outra história!

Bett Educar 2019

Imagem meramente ilustrativa.

O ano de 2019 veio recheado de eventos para o segmento educacional…

Tenho a impressão de que a indústria acordou e decidiu explorar as inúmeras oportunidades de negócios que as empresas de ensino básico no Brasil possuem.

O único problema que tenho visto nesse ecossistema de fornecedores é a falta de sinergia com a cultura do segmento educacional de ensino básico!

Em minha opinião, por muito tempo quando o assunto de educação era tratado, imediatamente surgia à mente empresas de ensino superior com seus gigantescos orçamentos. No entanto, nas empresas de ensino básico, a realidade é ligeiramente diferente, ou seja, os compromissos financeiros costumam ser apertados e os investimentos em infraestrutura de tecnologia precisam ser muito bem ponderados…

É nesse contexto que as edições da tradicional feira Bett atuam: atrair empresas conceituadas, startups e profissionais para o núcleo da discussão que o mercado educacional fomenta.

Nas edições iniciais percebi que ainda faltava um pouco de alinhamento com a verdadeira demanda do setor, mas nos últimos anos tenho visto muitos assuntos, geralmente tratados através de seus fóruns, bem como novos players que estão cirurgicamente encaixados com a necessidade.

Parabéns aos organizadores do evento! E que venha 2020…

Dúvida cruel: Faculdade ou certificação?

Depositphotos_61397193_m-2015Estive lendo em alguns blogs que sigo sobre a constante questão na vida profissional (principalmente em tecnologia): o que é mais relevante na hora de obter reconhecimento profissional (ou na busca de um novo emprego), uma faculdade (e todas as suas variações: graduação, pós, mestrado e doutorado) ou uma certificação profissional?

Acredito que não há uma resposta simples, pois eu mesmo já fui indagado algumas vezes sobre esse tema, o que me leva a pensar que sou um profissional experiente (usando a modéstia, é claro!) ou no máximo os mais jovens me enxergam como um “ancião da tecnologia”…

Para pacificar meus pensamentos vou tentar responder através de um meio termo entre o profissional do Paleolítico e o guru da montanha do silício; depende única e exclusivamente do “momento” em que você se encontra!

Vou detalhar dois exemplos simples:

1º: “SRR é um profissional com cerca de 35 anos, ainda não possui uma graduação, no entanto desempenha atividades que envolvem liderança e trabalho operacional especializado. Seu superior imediato lhe atribui responsabilidade técnica por uma série itens de configuração do departamento de tecnologia.” Nesse caso eu recomendo fortemente algumas certificações técnicas, tais como: MCSA, LPI (em seus variados níveis) e em último caso um ITIL Foundation; vou explicar o motivo: o profissional fictício (se houver semelhança com alguém é uma mera coincidência!) está em cima do muro entre o tático e o operacional, sem educação formal (falando de uma graduação) as certificações o ajudarão a aumentar a confiabilidade em suas atividades profissionais e podem alavanca-lo à novos horizontes no mercado de trabalho (inclusive na mesma empresa); não que um papel ateste que ele seja um bom profissional, apenas que estudou determinado tema e domina o assunto…

2º: “LG é um jovem com cerca de 20 anos, em início de carreira e em sua curta participação ativa no mercado de trabalho tem algumas dúvidas sobre qual graduação deve fazer: Banco de dados? Sistemas da Informação? Engenharia da computação?” Aqui parece um pouco mais simples de responder, pois o problema está no segmento de atuação. Geralmente pessoas em início de carreira  desempenham várias atividades até o momento em que realizam determinada tarefa com tal maestria que fatalmente será lembrado como: o “cara” (isso vale para as mulheres também) da rede, da programação ou do hardware…

Enfim, é necessário planejar o retorno do investimento a ser feito (faculdade ou certificação) pois ambos vão consumir tempo e recursos; mas ao final você certamente será um profissional melhor preparado.

E não fique bravo se algum jovem te chamar de “tiozinho da TI”, o mundo gira e todos já fomos jovens e inexperientes.

Obs.: a imagem usada nesse post foi adquirida aqui.

O encantador de stakeholders.

stakeholdersTenho verificado que muitos de meus colegas sentem dificuldades na implantação de seus projetos. As reclamações possuem muita coisa em comum e percebo que giram em torno de um ponto central: a falta de apoio dos “usuários”.

Esmiuçando um pouco o termo “usuário”, que em minha opinião não é mais adequado em tecnologia da informação, posso encontrar diversas vertentes; além das pessoas que certamente irão utilizar o produto final do projeto, o entorno e as pessoas que atuam em áreas periféricas são diretamente interessadas.

Cursos de gestão repetem de forma insistente o “mantra”: mapeiem todas as partes interessadas, encontrem as pessoas afetadas pelo projeto… Parece fácil, mas não é!

Lidar com grandes grupos de pessoas requer muita dedicação e uma fenomenal disposição. A formação de um profissional de TI dificilmente possui disciplinas com ênfase em “pessoas”.

Como fazer então para lidar com todo esse “problema”? Não há uma receita, mas algumas dicas podem ser levadas em consideração:

  • Desça do “pedestal” da tecnologia. Evite jargões, para que consiga se fazer entender entre as pessoas que trabalham em áreas distintas do meio tecnológico;
  • Aproxime a TI das pessoas. Faça-as entender que o apoio de um ambiente tecnológico tem muito a acrescentar positivamente em suas rotinas;
  • Desmistifique o profissional de TI. Nem todos sabem consertar um PC ou passar um cabo de rede. Existem áreas e áreas e não temos a possibilidade de saber tudo sobre tecnologia.
  • Saiba dizer “não” com propriedade e caso não conheça uma resposta nem pense em sentir-se envergonhado de assumir a ignorância momentânea em determinados assuntos.

Enfim, transforme seus “usuários” em pessoas e certamente ficará mais simples de implantar seus projetos com sucesso.