O processo de desenvolvimento de software ainda é o mesmo?

Não é de hoje que todos sabem que os métodos ágeis vieram pra ficar. É claro que não houve um abandono da forma tradicional de planejar um projeto, mas convenhamos que entregar partes nas quais o cliente pode usar o produto é muito mais factível…

Imaginar o resultado final de um projeto visto tantas variáveis é um esforço hercúleo e o nível de imprecisão beira valores bem altos.

Desenvolver um produto de tecnologia atualmente é como montar peças de Lego. A equipe precisa ter em mente como colaborar entre si de forma proativa. E é exatamente isso que os métodos ágeis pregam: pessoas que consigam administrar seu tempo, motivação e que fiquem de olho no resultado.

Parece simples, mas não é!

Um aplicativo para smartphone não trabalha de forma isolada, websites precisam se relacionar com todo um ecossistema de tecnologia que até mesmo o mais atendo dos profissionais não consegue vislumbrar.

Enfim, fica a pergunta: o processo para desenvolver ainda é o mesmo? Receio que na essência sim. Mas todos sabemos que o desenvolvedor já não trabalha mais em ilhas e precisa ter um entendimento maior do resultado final, isso sem contar na montanha de habilidades que precisa adquirir.

Certamente, o processo de desenvolvimento foi repaginado.

Convivendo com a “lei de Murphy”

Collision_of_Costa_Concordia_27“Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”.  Edward A. Murphy

Pode parecer brincadeira, mas a frase acima pode estar certa (muito certa)!

Recentemente senti isso na pele…

Um grande evento estava em planejamento e a equipe envolvida precisava demonstrar uma “virada de mesa”, pois estava desacreditada; o mesmo evento no ano anterior havia sido um desastre total!

Muita coisa estava em jogo e o planejamento entrou nos mínimos detalhes; o nível de stress estava tão alto que alguns membros do time já estavam sonhando (ou tendo pesadelos) com a realização do evento.

Por fim, no dia tão esperado, iniciamos as atividades e algumas coisas começaram a dar problema, no entanto, a equipe se comportou de maneira exemplar; todos seguiram os planos de contingência que havíamos previsto em nossas análises de risco e a mitigação foi sensacional!

Hoje tenho certeza que saímos com uma enorme lista de melhorias que poderemos implantar, mas a lição mais importante foi aprendida por todos nós: é necessário aprender a conviver com Murphy, pois “se alguma coisa…”

Obs.: a imagem deste post possui licença Creative Commons e pode ser encontrada em:
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Como resolver problemas? Mantenha a cabeça fria…

Mad peopleQuem nunca se sentiu ansioso ou nervoso a tal ponto que simplesmente não conseguiu mais pensar? As mãos suadas e o corpo frio?

Bem-vindo ao mundo real…. Situações de estresse parecem mais comuns do que realmente acreditamos! Somos mais vulneráveis do que achamos; em suma: somos humanos (apesar de nossos gestores ainda acreditarem que somos uma máquina)!

Tenho percebido que parte da ansiedade tem origem em momentos corriqueiros onde ações rápidas e “com pouca margem de erro” são necessárias, ou seja, nossos costumeiros “problemas diários” …

Recentemente me encontrei em uma situação exatamente como a descrita; um projeto de altíssima importância, não tanto pelo valor, mas pela criticidade da solução e pelos processos vitais envolvidos; minha equipe exalava ansiedade e visivelmente à medida em que repassávamos o plano de ação o grupo todo entrava em uma sintonia “negativa”.

Percebi que algo não estava bem quando meu líder do grupo não conseguia repetir o que eu acabara de demonstrar.

Decidi dar uma pausa e “voltar à escola” com o grupo. Falei rapidamente sobre montarmos uma matriz GUT e priorizarmos os problemas….

Pode parecer pouco, mas o simples fato de mudarmos o foco e discutirmos sobre o que cada integrante da equipe considerava um problema deu mais segurança ao time e a partir dali o trabalho engrenou de forma satisfatória.

Final da estória: trabalho concluído com sucesso. Foi um dia insano, muita atividade, pessoas estressadas, pressão da direção pelo resultado; mas a equipe segurou a “onda”…. a partir dali todos crescemos mais um pouco em nossa “vida profissional”. Resolver os problemas com a cabeça fria e de forma participativa traz sim resultados efetivos.

Obs.: a imagem deste post está sob licença creative commom.

Equipes de alto desempenho: “um por todos…”

Equipes alto desempenho

Recentemente passei por uma experiência no mínimo “interessante”…

Em um projeto com prazo ambicioso (sem nenhuma novidade em se tratando de projetos) eu precisava encontrar um fator no qual a concentração de esforços fosse maximizada em torno dos “momentos principais”, visando garantir dessa forma um rápido e eficiente desempenho para que a sequência final dos trabalhos não sofresse alguma dependência em nível de esforço.

A solução foi apostar nas características individuais do time alocado para a execução dos trabalhos.

Basicamente havia três momentos do projeto:

  1. A prospecção dos fornecedores, com todo o trâmite comercial de análise para propostas, negociações buscando equilibrar os valores e assinatura dos contratos visando assumir o compromisso com o tempo necessário para entrega de todos os materiais envolvidos;
  2. A “obra estrutural”, onde a estrutura física iria passar por pequenas (mas importantes) alterações e;
  3. A implantação dos equipamentos e execução dos serviços (equipes internas e externas).

Com base nesse esboço do projeto, iniciei a identificação do skill necessário dentro de meu próprio time.

Para minha surpresa, acabei encontrando cada “elemento”, ou elo dessa corrente… Percebi que as pessoas possuem algumas capacitações “não formais” que as qualificam a executar tarefas em níveis e velocidades diferentes, levando em conta apenas essa “bagagem” individual.

Imediatamente lembrei de um livro que acredito ser uma obra obrigatória a todo gestor, “Inteligência Emocional” do Ph. D. Daniel Goleman

Realmente fez sentido todo o contexto explicado por Goleman, encontrei um ótimo “burocrata” que me auxiliou na primeira fase do trabalho, encontrando os mínimos detalhes do que era necessário adquirir, quais fornecedores contatar e no acordo de prazos.

A outra pessoa descoberta foi um excelente “hands on” que foi crucial na comunicação com a equipe de obras e manutenção.

Por fim faltava a “cereja do bolo”, uma pessoa que tivesse um elevadíssimo nível de compromisso com a entrega e com o prazo; mais uma triagem e ali estava a “peça” que faltava. Essa pessoa finalizou comigo os trabalhos que por vários dias avançaram horas a fio.

Em suma, todo um embasamento teórico foi aplicado com enorme sucesso. Fiquei realmente feliz de ter apoiado meu planejamento em questões comportamentais.

Percebi ao final que Goleman ganhou mais um fã ardoroso de sua obra (já estou seguindo ele através do LinkedIn)…

O encantador de stakeholders.

stakeholdersTenho verificado que muitos de meus colegas sentem dificuldades na implantação de seus projetos. As reclamações possuem muita coisa em comum e percebo que giram em torno de um ponto central: a falta de apoio dos “usuários”.

Esmiuçando um pouco o termo “usuário”, que em minha opinião não é mais adequado em tecnologia da informação, posso encontrar diversas vertentes; além das pessoas que certamente irão utilizar o produto final do projeto, o entorno e as pessoas que atuam em áreas periféricas são diretamente interessadas.

Cursos de gestão repetem de forma insistente o “mantra”: mapeiem todas as partes interessadas, encontrem as pessoas afetadas pelo projeto… Parece fácil, mas não é!

Lidar com grandes grupos de pessoas requer muita dedicação e uma fenomenal disposição. A formação de um profissional de TI dificilmente possui disciplinas com ênfase em “pessoas”.

Como fazer então para lidar com todo esse “problema”? Não há uma receita, mas algumas dicas podem ser levadas em consideração:

  • Desça do “pedestal” da tecnologia. Evite jargões, para que consiga se fazer entender entre as pessoas que trabalham em áreas distintas do meio tecnológico;
  • Aproxime a TI das pessoas. Faça-as entender que o apoio de um ambiente tecnológico tem muito a acrescentar positivamente em suas rotinas;
  • Desmistifique o profissional de TI. Nem todos sabem consertar um PC ou passar um cabo de rede. Existem áreas e áreas e não temos a possibilidade de saber tudo sobre tecnologia.
  • Saiba dizer “não” com propriedade e caso não conheça uma resposta nem pense em sentir-se envergonhado de assumir a ignorância momentânea em determinados assuntos.

Enfim, transforme seus “usuários” em pessoas e certamente ficará mais simples de implantar seus projetos com sucesso.