A difícil arte de realizar pesquisa científica no Brasil

Sou aluno bolsista de doutorado em uma faculdade na Cidade do México e hoje entendo que que fiz uma ótima escolha, pois alguns de meus colegas que optaram pelo modelo tradicional, ou seja, pesquisar em seu próprio país, ainda estão patinando no desenvolvimento de seus trabalhos, não por vontade própria, mas está parecendo que o Brasil não está muito interessado em fomentar a pesquisa científica…

É realmente uma grande pena ver países sem muita tradição acadêmica nos ensinando valiosas lições a respeito de como atuar no desenvolvimento científico através de seus alunos. Não é possível entender como uma nação que reduz custos no segmento educacional quer ser considerado um país moderno e alinhado com o restante do planeta.

Conheço alguns doutorandos que tiveram extirpados seus incentivos à pesquisa de forma brutal! Fico imaginando a sensação de ver um trabalho que em média dura cinco anos ir pelo ralo devido à falta de financiamento…

É certo que a iniciativa privada fomenta em larga escala o desenvolvimento científico, mas sem a parcela que cabe ao governo é muito difícil continuar.

Enfim, agradeço ao México por me aceitar como aluno, pois consigo visualizar a importância da contribuição resultante da minha pesquisa.

Melhor pensar um pós-doutorado na Finlândia?

III Taller internacional sobre realización de tesis doctorales

Estive presente em um encontro do qual tinha dúvida da importância do mesmo; afinal se tratava de uma oficina sobre o desenvolvimento de teses (para os doutorandos, meu caso) e dissertações (para alunos de mestrado).

O nome do evento era: III Oficina Internacional sobre realização de Tese de Doutorado e  o palestrante foi o Dr. Antonio Pantoja Vallejo, que em minha opinião é uma das maiores autoridades europeias em educação.

Fiquei positivamente surpreendido, não apenas pela diversidade do público, o Brasil estava representado por praticamente todos os estados da Federação, mas pela amplitude da temática das pesquisas em curso pelos alunos.

Como minha pesquisa trata da aplicação de modelos de gestão de serviços em TIC (tecnologia da informação e comunicação) para o segmento educacional estava receoso de não aproveitar algumas oportunidades que o evento se dispusera…

Agora tenho plena certeza de que se não tivesse participado a minha pesquisa não seria relevante o suficiente para a comunidade (seja ela científica ou profissional) e o tamanho da “amostragem” seria insignificante!

Voltei da bela cidade de Florianópolis com uma boa bagagem; aperfeiçoei o meu entendimento sobre a escrita científica, esclareci dúvidas que estavam sendo um grande entrave para a minha pesquisa e ainda por cima trouxe uns deliciosos bombons de cupuaçu (gentileza de uma colega doutoranda)…